Colégio Florence

Colégio Florence

Colégio Florence, Campinas. Autoria Desconhecida, Óleo sobre tela.

Colégio Florence, Campinas.
Autoria Desconhecida, Óleo sobre tela.
Acervo Museu Paulista

Carolina Krug Florence

Carolina Krug Florence nasceu em Kassel, Alemanha, em 21 de março de 1828. Filha de um fabricante de mosaicos artesanais em madeira, João Henrique Krug e Elizabeth Debus Krug, valorizava a educação e tinha por ideal ser professora.

Da esquerda para a direita: Isabel Florence, Carolina Krug e Augusta Florence.

Da esquerda para a direita:
Isabel Florence, Carolina Krug e Augusta Florence.
Acervo IHF.

Iniciou seus estudos aos seis anos e até os quatorze frequentou a Escola Ruppel, na Alemanha. Ao terminar o curso superior mudou-se para Suíça para frequentar o Instituto de Madame Niederer, onde teve a oportunidade de conhecer melhor o método de Pestalozzi (já considerado, na época, um grande pedagogo moderno) e também vivenciá-lo na prática. Em 1848, Carolina volta para Alemanha e passa a lecionar em uma escola para moças.

Em 1852, os pais de Carolina decidem juntar-se ao filho mais velho, Jorge Krug, estabelecido na cidade de Campinas desde 1846. Carolina embarca então para o Brasil e após dois anos de sua chegada casa-se com um amigo de seu irmão mais velho. Era ele Hercule Florence, viúvo de Maria Angélica Machado Florence, com quem se casara em 1830 e com quem teve treze filhos.

Após o casamento, o inventor e a educadora foram viver na Fazenda Soledade. Ao lado de Hercule, Carolina assumiu os filhos do primeiro casamento do naturalista, e teve ainda sete filhos com ele.

Em 1863 a família decide mudar para a área urbana de Campinas e Carolina coloca em prática seu antigo desejo: criar um estabelecimento no Brasil, seguindo o modelo que havia vivenciado na Europa.

Sobre o Colégio Florence

A vontade de Carolina em criar um estabelecimento no Brasil, nos moldes em que havia frequentado na Europa, a acompanhava desde os tempos em que veio para a América. Passados nove anos do casamento com Hercule e apoiada por ele, a educadora funda em Campinas, em 3 de novembro de 1863, o Colégio Florence, localizado em um prédio cedido pelo irmão, Jorge Krug, na Rua da Flores, 24 e 26 (atualmente Rua José Paulino).

Documentos da época evidenciam a influência do método Pestalozzi na instituição. Cartas de pais, alunos e professores mostram que a família, por exemplo, era o centro da educação. A relação que se criava no colégio, entre os diversos membros que o compunham, era de respeito mútuo, visando a cooperação de todos.

A vida em comum entre professores e alunos se objetivava nas atividades do cotidiano. Ao contrário dos colégios religiosos do mesmo período, em que as alunas tinham, na maioria das vezes, apenas freiras para ensiná-las, no Colégio Florence o contato com o mestre do sexo masculino favorecia uma educação mais voltada para a realidade social a que estavam inseridas.

Outro aspecto pedagógico que o diferenciava das instituições particulares religiosas era o de ser um espaço de aprendizagem da vida cultural. Contrariamente aos internatos religiosos, onde o estímulo à educação se encontrava na assimilação e dogmas, rezas, abnegação, santificação da mulher, o Colégio Florence, por ter sido laico, tratava suas alunas como mulheres para viverem no espaço privado e público.

Além disso, Carolina procurava absorver dos novos métodos que foram surgindo, contribuições para a melhoria do ensino. Permitia assim, que o corpo docente da instituição elaborasse seus programas de ensino livremente. A abertura às ideias que chegavam com novos professores sempre foi bem recebida e o papel do professor implicava numa maior flexibilidade do colégio.

Desde o início, Carolina Florence procurou ter em seu estabelecimento professores qualificados, tanto os nacionais quanto os estrangeiros. Entre os docentes que passaram pelo lá destacam-se Hercule Florence, Rangel Pestana, João Kopke, Emílio Giorgetti, Armelina Lamaneres, Leonor Gomes, Ana Krug Kupfer, Augusta e Isabel Florence, entre outros.

A Educação Feminina Durante o Século XIX O Colégio Florence de Campinas 1863 – 1889

"A Educação Feminina Durante o Século XIX O Colégio Florence de Campinas 1863 – 1889" surgiu dos resultados apresentados na dissertação de mestrado, defendida em 1987, pela Professora Arilda Ines Miranda Ribeiro, “A Educação da Mulher no Brasil-Colônia”. Neste livro, Arilda resgata a história do Colégio Florence e de sua fundadora,Carolina Krug Florence. Baixe o PDF da segunda edição, financiada por membros da família Florence, para ter acesso à obra completa.

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