Por trás de cada grande expedição científica ao Brasil do século XIX havia um exército invisível: guias que conheciam cada corredeira, remeiros que empurravam canoas pesadas por cachoeiras, sábios locais que identificavam espécimes e faziam, eles próprios, ciência. Lilia Moritz Schwarcz desmonta o mito do naturalista solitário — o "Adão europeu" perdido numa natureza virgem — e revela como esse apagamento foi uma estratégia narrativa deliberada, com consequências que vão do esquecimento até o sequestro de crianças indígenas. Chiara Vangelista aprofunda esse olhar comparando dois viajantes francófonos, Debret e Hercule Florence, e mostrando como Florence, com sua atenção proto-fotográfica ao cotidiano dos trabalhadores da floresta, deixou um testemunho único sobre os homens que tornaram possível a expedição Langsdorff. Um diálogo entre duas pesquisadoras sobre o que a história preferiu não ver — e que o IHF agora traz ao centro do debate.
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