O interesse pela vida e a obra do instigante personagem que lhe empresta o nome é o ponto de partida para a constituição do Instituto Hercule Florence - de Estudos da Sociedade e Meio Ambiente do Século XIX Brasileiro, em 2006. O IHF surge do desejo de reunir, preservar e divulgar todo o acervo disponível sobre o artista, viajante e inventor franco-monegasco, que aportou em 1824 no Brasil, onde se estabeleceu, deu origem a uma numerosa família, desenvolveu pesquisas - inclusive as que levaram à descoberta do processo fotográfico - e viveu até a sua morte, em 1879.
A partir dessa homenagem, motivada pela admiração do fundador Antonio Florence pela biografia e as realizações do tetravô, o instituto logo amplia sua atuação para pensar e difundir o Brasil oitocentista, rota de viajantes europeus que elegeram a relação homem-natureza como objeto de pesquisa científica e inspiração artística.
Preservar e divulgar vida e obra de Hercule Florence e o Brasil do século XIX. Promover reflexões a partir do passado de forma a contribuir para o entendimento do presente.
Fruto dessa visão ampliada, o objetivo do instituto firma-se como a pesquisa, a conservação e a divulgação de documentos textuais, iconográficos e fotográficos relativos ao século XIX brasileiro - período em que o Brasil nasce e consolida-se como nação independente. Preservar esse passado, refletir e produzir conhecimento a partir dele é uma forma de contribuir para o entendimento do presente.
Ao longo desses anos, o IHF reuniu um acervo de mais de 10 mil itens. Entre os destaques está a coleção de 2 mil documentos relacionados à vida de Hercule Florence (1804-1879), preservados por Arnaldo Machado Florence, bisneto de Hercule e um dos primeiros estudiosos e divulgadores de sua obra. A chegada desta coleção ao IHF, em 2010, representou um marco, pois foi a primeira vez que manuscritos originais do artista e inventor passaram a integrar o acervo.
Ser referência na articulação de informações e fonte acessível e confiável sobre Hercule Florence e o Brasil oitocentista.
Uma das principais ações do IHF foi a publicação de uma edição impressa e encadernada contendo a íntegra do manuscrito L’Ami des Arts livré à lui-même, de Hercule Florence, que traz, além de sua autobiografia, também a descrição de suas invenções e a versão final do relato da Expedição Langsdorff (1825-1829), da qual ele participou como desenhista, pouco depois de chegar ao Brasil, com apenas 20 anos de idade. Essa primeira iniciativa editorial envolveu as etapas de restauro, digitalização, transcrição, tradução e publicação de fac-símile do manuscrito de 423 páginas, editado pela primeira vez de forma integral. A obra digitalizada está à disposição do público e de outras instituições no site do IHF.
Outras importantes iniciativas foram as análises físico-químicas (2022) de três objetos fotográficos de Hercule Florence por meio de uma colaboração inédita entre quatro instituições – IHF, Instituto Moreira Salles (IMS), Getty Conservation Institute e Laboratório HERCULES da Universidade de Évora – feitas por grupo de especialistas em conservação liderado por Art Kaplan, cientista adjunto do Getty, e António Candeias, professor do departamento de química e bioquímica e pesquisador sênior do Laboratório HERCULES. Estas análises e outros temas foram abordados posteriormente no Seminário Internacional Cento e Noventa Anos dos Experimentos Fotográficos de Hercule Florence (2023), organizado pelo IHF e pelo IMS, reunindo especialistas nacionais e internacionais.
Destaque ainda para o projeto Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depois (linkar p/ hot-site) (2026), integrando exposição na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP), mostra de cinema ambiental e lançamento de publicações a partir de manuscritos originais de Hercule Florence, em uma realização do IHF e da Documenta Pantanal, tendo como parceiros a BBM-USP, o IMS e o Centro MariAntonia da USP.
Outros projetos realizados pelo IHF foram a exposição A vida em invenções: Hercule Florence e a Photographie, no Sesc Ver-o-Peso (2025), como parte da programação cultural paralela da COP30, em parceria com o Sesc no Pará, o IMS e a Casa da Floresta UNESP/Peabiru; o Mapa Interativo com o roteiro da Expedição Langsdorff, contendo trechos e imagens desse relato, por meio da plataforma Google Earth, e ainda a exposição O olhar de Hercule Florence sobre os Índios Brasileiros, que apresentou livros, desenhos, fotografias e objetos arqueológicos relativos à expedição na BBM-USP, com itinerância por museus do interior paulista (2015-16).
Essas e outras ações são exemplos da atuação do IHF na preservação e divulgação de documentos importantes para a compreensão do século XIX, reforçando nossa abertura para parcerias com outras instituições e nosso compromisso de congregar a memória, preservá-la, estudá-la e difundi-la para o presente e para o futuro.