Documentário inédito reconstrói a trajetória do artista-inventor e tem sua primeira exibição em Mônaco.
Primeiro documentário dedicado à trajetória do inventor visionário, Hercule Florence, autorretrato 1804-1879, realizado pelo Instituto Hercule Florence, teve sua primeira exibição no dia 14 de outubro de 2026, no Auditório Rainier III, em Mônaco, a convite do Principado.
Dirigido por Jorge Pelicano, com roteiro de Flavia Castro, montagem de Laís Lifschitz e Eduardo Escorel, atuação de Hélder Afonso (Hercule Florence) e narração de Maurice Durozier (Théâtre du Soleil), o filme acompanha a vida de Florence e investiga sua obstinada busca por um processo fotográfico. Estruturado como uma exposição, a obra coloca o espectador em um percurso no qual a narrativa, em primeira pessoa, é conduzida por Maurice Durozier, que empresta sua voz ao próprio Florence a partir de seus manuscritos, enquanto desenhos, fotografias e documentos surgem diante de seus olhos.
O roteiro foi integralmente construído sobre esses escritos — um material raro, no qual Florence registrou não apenas seus experimentos e ideias, mas também seus sentimentos e inquietações diante da vida. É por meio dessa voz íntima que o filme nos permite conhecer o inventor por dentro, em toda a sua complexidade e poesia.

Uma aventura científica no interior do Brasil
Antes de a fotografia se estabelecer como uma das grandes invenções da modernidade, Hercule Florence já procurava uma maneira de captar a imagem pela ação da luz. Aos 20 anos, deixou o Velho Mundo e veio para o Brasil, onde participaria da célebre Expedição Langsdorff.
Anos depois, distante dos principais circuitos científicos de seu tempo e trabalhando sem a estrutura de um laboratório, Florence realizou, no interior do Brasil, uma série de experiências com processos de reprodução de imagens. Em 1833, conseguiu captar uma imagem pela ação da luz — e, em seguida, desenvolveu processos para fixá-la, utilizando substâncias como urina, amônia e água. Nesse mesmo período, empregou o termo “photographie” para designar o processo, seis anos antes do anúncio de Daguerre em Paris.
Por meio de entrevistas com especialistas internacionais, manuscritos, desenhos e outros documentos originais, o filme reconstrói as etapas dessa investigação e revela também outras invenções de Florence, entre elas a poligrafia, técnica de impressão que desenvolveu no Brasil, e a zoofonia, sistema criado para registrar os sons dos animais e considerado precursor de estudos que mais tarde constituíram o campo da bioacústica.

Novas evidências materiais
A produção cinematográfica incorpora imagens inéditas de uma pesquisa científica recente, conduzida por instituições de três países: Getty Conservation Institute (EUA), Laboratório HERCULES da Universidade de Évora (Portugal), Instituto Hercule Florence e Instituto Moreira Salles (Brasil). Entre os objetos examinados estão dois rótulos de farmácia e um diploma maçônico, documentos que integram o conjunto das mais antigas imagens fotográficas das Américas.
As análises identificaram o uso pioneiro de ouro e prata nas imagens produzidas por Florence em 1833, trazendo novos elementos materiais para o estudo de seus experimentos fotográficos. As reconstituições laboratoriais dos processos descritos por Florence demonstraram a eficácia da amônia como agente de fixação. Os resultados da pesquisa foram apresentados em setembro de 2026 na 21ª Conferência Trienal do ICOM-CC, em Oslo, por Art Kaplan, do Getty Conservation Institute.
Quase dois séculos depois dos primeiros experimentos de Florence com a luz, documentos, pesquisas e novas investigações continuam a ampliar o conhecimento sobre sua obra e a situar sua contribuição no contexto das diferentes experiências que marcaram o surgimento da fotografia no século XIX.

Primeira exibição
Realizar a primeira exibição de Hercule Florence, autorretrato 1804-1879, em Mônaco é um retorno simbólico às origens do artista-viajante que, apesar de ter nascido em Nice, cresceu na cidade natal de sua mãe, onde sua família criou raízes e conquistou a estima da corte da época. Lá, Florence recebeu a formação artística que seria determinante para seu trabalho posterior no Brasil, na expedição Langsdorff.
Com presença do príncipe Alberto II, a sessão foi organizada pelo Principado com apoio dos Arquivos do Palácio do Príncipe de Mônaco, representado por seu diretor, Thomas Fouilleron, e da Direção dos Assuntos Culturais do território, representada por Françoise Gamerdinger.
Estiveram presentes Antonio Florence e Francis Melvin Lee, do IHF, o historiador Thierry Thomas, responsável pelas transcrições dos manuscritos de Hercule, além do cientista Art Kaplan, do Getty Conservation Institute. Participaram ainda o diretor Jorge Pelicano, a roteirista Flavia Castro e o ator Hélder Afonso, da equipe do filme. O ator Jean-Marc Barr foi responsável por introduzir a exibição.
Antes da sessão, os integrantes do projeto conversaram com veículos monegascos, em uma coletiva de imprensa.
Veja galeria de fotos:
Em breve o documentário estará disponível ao público brasileiro. Acompanhe as redes do IHF para saber mais.
Ficha técnica
Título: Hercule Florence, autorretrato 1804-1879
Gênero: Documentário
Duração: 73 minutos
País: Brasil / Portugal
Direção: Jorge Pelicano
Roteiro: Flavia Castro
Produção: Antonio Florence
Produção executiva: Mônica Guimarães
Produção geral: Adriana Norte e Camila Roque
Edição: Laís Lifschitz e Eduardo Escorel
Narração: Maurice Durozier
Direção de fotografia: João Pedro Plácido
Trilha sonora original: Pedro Leal David
Elenco: Hélder Afonso (Hercule Florence)
Produção: Instituto Hercule Florence
Getty, Laboratório HERCULES, IHF e IMS apresentam estudo científico que lança nova luz sobre as imagens fotográficas produzidas pelo inventor no Brasil há quase 200 anos.
Percorra a exposição virtual sobre as análises dos objetos fotográficos mais antigos das Américas, que confirmam o pioneirismo de Hercule Florence como um dos inventores da fotografia.