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Langsdorff 200 anos terça-feira, 28 de abril de 2026

Por que revisitar a Expedição Langsdorff hoje?

Exposição na BBM USP reflete sobre a urgência em buscarmos um desenvolvimento sustentável

Lalo de Almeida - Vista aérea de uma das lagoas que formam a nascente do Rio Paraguai, no município de Alto Paraguai (MT).
Apesar de fazer parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Nascentes do Rio Paraguai, a área sofre com assoreamento, contaminação por agrotóxicos e expansão da soja. Alto Paraguai (MT).

Por que revistar a Expedição Langsdorff hoje?

Porque duzentos anos são um microssegundo na presença do homo sapiens no planeta — e, nesse fragmento imperceptível de tempo geológico, já somos capazes de ver o antes e o depois.

Os relatos e os registros visuais de Hercule Florence, integrante da expedição de Georg Heinrich von Langsdorff entre 1825 e 1829, documentaram paisagens, povos e formas de vida que a nossa geração herdou profundamente alterados. Olhar para esses registros é olhar para um espelho partido: reconhecemos o que havia, e nos defrontamos com o que fizemos.

A exposição Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depois nos convida a esse confronto.

Hercule Florence - [Mulheres e crianças indígenas Guatós, 27 de dezembro de 1826], reprodução digital. Coleção Cyrillo Hercules Florence / Instituto Moreira Salles.
Lalo de Almeida - Sandra Guató observa a área queimada próxima à sua habitação na margem do Rio Cuiabá, na Terra Indígena Baia dos Guató, Pantanal matogrossense.

O Brasil de hoje e a armadilha das commodities

O que a exposição sugere sobre o Brasil contemporâneo é incômodo e preciso: a inserção do país na economia global como exportador de commodities tem exigido, sistematicamente, a destruição do meio ambiente como condição de acesso ao mercado.

Não se trata de um acidente. Trata-se de uma lógica. E enquanto essa lógica não for nomeada, disputada e substituída, as margens dos rios que Florence desenhou continuarão a recuar.

 

O que esperamos que o visitante leve desta exposição

Não conforto. Não nostalgia.

Esperamos que o visitante leve consigo os sentimentos que deveriam estar nos habitando de forma permanente: medo, angústia e, sim, desespero — não o desespero paralisante, mas aquele que move, que obriga, que não permite que nos acomodemos.

A arte e o documento histórico têm o poder de tornar visível o que a rotina anestesia.

 

Ainda é possível desacelerar? Sim!

Com urgência e coragem política. Acreditamos que as transformações necessárias passam por:

  • Descentralização da produção e do consumo: abandonar progressivamente os grandes sistemas centralizados em favor de cadeias locais, mais resilientes e mais justas.
  • Energia descentralizada: incentivar a produção e o consumo de energia em escala comunitária e regional, reduzindo a dependência de grandes complexos industriais e suas externalidades destrutivas.
  • Comunitarismo e cooperativismo: substituir a ênfase cultural no individualismo e na competição pela valorização da cooperação, do cuidado coletivo e das economias solidárias.
  • Desaceleração do turismo de massa: implementar políticas que incentivem formas de turismo responsável, limitando o impacto dos fluxos massificados sobre ecossistemas frágeis e comunidades locais.
  • Outra medida de progresso: abandonar o PIB como indicador central do bem-estar humano. O Butão nos oferece uma alternativa testada: o FIB — Felicidade Interna Bruta — que coloca a qualidade de vida, a saúde dos ecossistemas e a coesão social no centro das políticas públicas. Crescimento que destrói não é progresso. É dissipação.

 

Uma declaração de esperança

Esperança não é otimismo ingênuo. É a decisão de agir como se o futuro ainda pudesse ser diferente — porque pode.

A Expedição Langsdorff atravessou um Brasil que ainda não sabia o que estava prestes a perder. Nós sabemos. Essa é nossa vantagem e nossa responsabilidade. Os desenhos e registros de Florence são um legado e um apelo: o mundo que ele documentou existiu. Algo semelhante ainda existe — e pode ser preservado, restaurado, respeitado.

A espécie que produziu essa expedição, essa arte, essa curiosidade radical sobre o mundo, é a mesma que está destruindo as condições de sua própria permanência no planeta.

 

Sustentabilidade é incontornável!

 

LANGSDORFF: A EXPEDIÇÃO FLUVIAL 200 ANOS DEPOIS

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP)

Salas Multiuso e BNDES

Rua da Biblioteca, 21 | Cidade Universitária – SP

De 31 de março até 26 de junho de 2026.

Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30; sábado, domingos e feriados, fechado.

Entrada gratuita.


leitura recomendada

Instituto Hercule Florence | Hotsite

Langsdorff - a expedição fluvial 200 anos depois

Exposição, mostra de filmes e lançamento de publicações revisitam a histórica expedição científica realizada no século XIX para refletir sobre a crise ambiental contemporânea.



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