Exposição na BBM USP reflete sobre a urgência em buscarmos um desenvolvimento sustentável

Por que revistar a Expedição Langsdorff hoje?
Porque duzentos anos são um microssegundo na presença do homo sapiens no planeta — e, nesse fragmento imperceptível de tempo geológico, já somos capazes de ver o antes e o depois.
Os relatos e os registros visuais de Hercule Florence, integrante da expedição de Georg Heinrich von Langsdorff entre 1825 e 1829, documentaram paisagens, povos e formas de vida que a nossa geração herdou profundamente alterados. Olhar para esses registros é olhar para um espelho partido: reconhecemos o que havia, e nos defrontamos com o que fizemos.
A exposição Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depois nos convida a esse confronto.


O Brasil de hoje e a armadilha das commodities
O que a exposição sugere sobre o Brasil contemporâneo é incômodo e preciso: a inserção do país na economia global como exportador de commodities tem exigido, sistematicamente, a destruição do meio ambiente como condição de acesso ao mercado.
Não se trata de um acidente. Trata-se de uma lógica. E enquanto essa lógica não for nomeada, disputada e substituída, as margens dos rios que Florence desenhou continuarão a recuar.
O que esperamos que o visitante leve desta exposição
Não conforto. Não nostalgia.
Esperamos que o visitante leve consigo os sentimentos que deveriam estar nos habitando de forma permanente: medo, angústia e, sim, desespero — não o desespero paralisante, mas aquele que move, que obriga, que não permite que nos acomodemos.
A arte e o documento histórico têm o poder de tornar visível o que a rotina anestesia.
Ainda é possível desacelerar? Sim!
Com urgência e coragem política. Acreditamos que as transformações necessárias passam por:
Uma declaração de esperança
Esperança não é otimismo ingênuo. É a decisão de agir como se o futuro ainda pudesse ser diferente — porque pode.
A Expedição Langsdorff atravessou um Brasil que ainda não sabia o que estava prestes a perder. Nós sabemos. Essa é nossa vantagem e nossa responsabilidade. Os desenhos e registros de Florence são um legado e um apelo: o mundo que ele documentou existiu. Algo semelhante ainda existe — e pode ser preservado, restaurado, respeitado.
A espécie que produziu essa expedição, essa arte, essa curiosidade radical sobre o mundo, é a mesma que está destruindo as condições de sua própria permanência no planeta.
LANGSDORFF: A EXPEDIÇÃO FLUVIAL 200 ANOS DEPOIS
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP)
Salas Multiuso e BNDES
Rua da Biblioteca, 21 | Cidade Universitária – SP
De 31 de março até 26 de junho de 2026.
Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30; sábado, domingos e feriados, fechado.
Entrada gratuita.
Exposição, mostra de filmes e lançamento de publicações revisitam a histórica expedição científica realizada no século XIX para refletir sobre a crise ambiental contemporânea.