Ana Maria Beluzzo discorre sobre a singularidade da observação de Hercule Florence nos registros de paisagens, povos indígenas, animais e plantas do Brasil ao longo da Expedição Langsdorff.
Com muita alegria, o Instituto Hercule Florence recebeu a curadora Ana Maria Belluzzo para uma visita à exposição Langsdorff: a expedição fluvial 200 anos depois, que esteve em cartaz na BBM USP de 31 de março a 26 de junho de 2026. Na ocasião, ela nos concedeu uma entrevista na qual reflete sobre alguns dos temas abordados pela mostra.
Ana Maria Belluzzo é crítica, pesquisadora, curadora independente e consultora de instituições culturais. Foi curadora da histórica exposição O Brasil dos viajantes, apresentada no MASP, em São Paulo, e no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre 1994-95.
Em seu depoimento para o IHF, ela discorre sobre a singularidade na qualidade de observação de Hercule Florence em seus registros de paisagens, povos indígenas, animais e plantas do Brasil ao longo da Expedição Langsdorff. Para ela, Florence se diferenciava dos demais artistas viajantes, pois “se apaixonava pelas características que o mundo oferecia para ele – há ali uma afinidade, uma escolha, um fascínio e uma pluralidade de coisas que ele observa”.
Belluzzo constata ainda que, decorridos 200 anos da Expedição Langsdorff, vivemos as consequências de uma dupla destruição: da memória e da paisagem. “A própria documentação feita por estrangeiros pode ser considerada como uma maneira de destruição, já que nega uma visão autóctone de representação”, afirma. Por fim, enfatiza sua convicção no poder da arte como um importante processo de conhecimento e transformação.
Assista ao vídeo:
Hercule Florence percorreu mais de 13 mil km pelos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, documentando em textos e desenhos suas impressões sobre a paisagem, os povos indígenas, a fauna e a flora
Artigo de Pablo Diener e Maria de Fátima Costa estuda o surgimento da categoria da Arte de Viajantes no âmbito das expedições científicas do Século das Luzes, até se constituir num gênero artístico que, nas primeiras décadas do Oitocentos, foi ganhando autonomia e definição